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sábado, 15 de março de 2014

SER FORTIFICADO PELO PODER DE DEUS

2º DOMINGO DA QUARESMA
REFLETINDO: GÊNESIS 12, 1-4, SALMO 32/33, 2 TIMÓTEO 1,8-10 e MATEUS 17,1-9.
Queridas irmãs, caríssimos irmãos, seguindo com nossa série de reflexões sobre as leituras bíblicas da liturgia dos domingos, buscando compartilhar nesse espaço o que a Palavra de Deus tem a lavrar em nossos corações, em nossas comunidades e em nossa sociedade, em tempos de quaresma, de conversão, buscando realinhar nossas ações com as de Jesus Cristo, buscamos nesse domingo refletir o fato da transfiguração de Jesus.
LAVRANDO O CORAÇÃO: O Senhor é nosso auxílio e proteção, reza o salmista no salmo responsorial desse domingo. Para nos dar esse abrigo e proteção, Deus nos fortalece com a sua bênção. Mas ele nos pede: “sai da tua terra, da tua família, da casa do teu pai e vai para a terra que eu te mostrar”. Sair das nossas pequenas seguranças e se por à caminho nem sempre é fácil. Mas é somente na nossa insegurança que Deus poderá nos proteger, somente na miséria é que Deus pode nos saciar com tua graça.  Ser fortificado pelo poder de Deus como Paulo e Timóteo é fazer a experiência de ir ao monte e ver a Glória de Deus se manifestando, mas ao fim dessa experiência, descer do monte para vir tocar a dura realidade humana com seus dramas e suas tramas. A manifestação de Deus é tremenda. Pedro, Tiago e João fizeram a experiência do monte, viram a transfiguração e Pedro queria ficar aí, na transfiguração, mas é chamado a caminhar, como Abraão no antigo testamento. Somente é fortificado pelo poder de Deus quem está a caminho, em busca da promessa e responder sim ao chamado de Deus.

LAVRANDO A KOINONIA: E a nossa comunidade? Tem trabalhado para
Grupo de Reflexão ouvi Jesus Cristo pela reflexão da
Palavra de Deus em pequenos grupos.
que todos se ponham a caminho? É uma comunidade itinerante? Qual o itinerário? Na comunidade temos que ter a hora da transfiguração. Do momento de retiro “...e os levou num lugar a parte...” para a meditação que passa pela experiência da história sagrada, “...Moisés e Elias conversando com Jesus...”. Mas nenhuma pastoral ou movimento pode ficar somente no monte, é preciso descer a montanha, vir para a realidade em volta da comunidade. Os necessitados de pão e os necessitados de paz clamam pelo nosso trabalho pastoral, e Deus ouve o clamor dos oprimidos e é por isso que Ele nos fortalece para defendermos os fracos.  Paulo nos lembra que Jesus, não somente venceu a morte, mas fez brilhar a vida. Em comunidade, somos Pedro, Tiago e João ouvindo Deus nos dizendo para escutar o que Jesus tem a nos dizer. Esse é o papel dos grupos de reflexão em nossas comunidades.

LAVRANDO A COLETIVIDADE: “Em ti serão abençoadas todas as famílias
Cartaz do Grito dos Excluídos_2006
da terra!”. Para que todas as famílias da nossa sociedade sejam abençoadas, primeiro precisamos nos tornar portadores dessa Bênção,fortalecidos pelo poder de Deus. Quantos são fortalecidos na sociedade pelo poder da corrupção? Pelo poder do suborno? Poder do pequeno poder político? Fortalecidos pelo poder do crime? Da tráfico de pessoas, inclusive? Transfigurar essa realidade em uma realidade em que a vida brilha como Jesus no Monte Tabor, é acima de tudo resgatar a dignidade humana, fazer com que as pessoas vejam o brilho que há dentro de si. Deus ama o direito e a justiça, diz o salmista. Essa é a santa vocação que nos lembra Paulo em sua carta a Timóteo. Transfigurar a sociedade é fazer com que as ações da Igreja, que leva seus membros a fazer a experiência do monte, mas desse a montanha para armar sua tenda juntamente com o povo que sofre, encarnando o que Jesus nos pede pela ação sócio-transformadora. Esse ano, ano de eleição, tenhamos a percepção e a coragem evangélica de perceber quais projetos políticos são de fato transfiguradores da sociedade.


BOM DOMINGO E BOA SEMANA A TODOS!

sábado, 8 de março de 2014

ENFRENTANDO AS TENTAÇÕES


1º DOMINGO DA QUARESMA
REFLETINDO GÊNESIS 2,7-9; 3,1-7; SALMO 50, 51, ROMANOS 5, 12-19 e MATEUS 4, 1-11.
A quaresma chegou e com ela o nosso tempo litúrgico de refletir sobre a conversão, e busca do perdão. A questão que aparece no horizonte de nossa reflexão é como fugir das tentações, e se cairmos, como nos reerguermos, vencê-las.
LAVRANDO O CORAÇÃO: A tentação que nos derruba é aquele que
mancha o coração. O salmista pede a Deus um coração puro (Criai em mim um coração que seja puro). Quando se cai em tentação é preciso recomeçar com um novo espírito (daí-me de novo um espírito decidido). O salmista pede uma nova chance e Deus no seu Infinito amor estará sempre pronto a nos atender. O seguidor de Jesus Cristo é tentado como o próprio Jesus foi.  Somos tentados a ter além do que precisamos, transformar as pedras em pães, tentados a viver o limite extremo do corpo, “lança-te daqui para baixo”, e a ter poder a qualquer custo “Eu te darei isso se ajoelhares diante de mim”. É nessa hora que nossa fé é testada, se somos capazes de ir além do material, não só de pão, de não questionarmos os desígnios de Deus “Não tentarás o Senhor teu Deus”. E ter Deus como o único Senhor de nossas vidas.
Enfim, com fé, venceremos todas as nossas tentações, seja pela resistência a elas, ou seja, pela vitória sobre elas quando elas se instalam em nossas vidas. Pois o dom da Graça de Deus, que veio ao mundo por Jesus Cristo, é maior que todos os pecados cometidos ao longo da história.
LAVRANDO A KOINONIA: Aqui a nossa reflexão a respeito de nossas comunidades, pastorais e movimentos caminha a partir da indagação sobre que tentações uma comunidade pode vivenciar? Outra indagação é o que estamos fazendo para ajudar a superar as tentações?
A comunidade também é tentada a acumular bens, a esquecer da Palavra de Deus e pensar apenas no som novo, no ventilador, no bebedouro e em outras benesses que se tiver condições são bem vindas, mas sempre em função da Palavra. A tentação de ir a qualquer custo fazendo as atividades, achar que pode tudo, e, sobretudo, buscar poder a qualquer custo. Líderes comunitários são tentados a se tornarem pequenos ditadores em suas comunidades, em seus grupos. Não conduzir de forma partilhada a caminhada do grupo e da comunidade.
Retiros espirituais devem sempre estar nas agendas das comunidades, das pastorais e dos movimentos. São momentos de introspecção que levará o seguidor de Jesus Cristo a interiorizar a Palavra de Deus, experimentar a Força do Espírito Santo agindo no coração e fortalecendo para as batalhas de um mundo em que o pecado entrou antes da Lei de Deus. Sua comunidade, pastoral ou movimento proporcionam momentos de desertos? Ou só apresenta o Jardim do Éden sem a árvore do centro?
LAVRANDO A COLETIVIDADE: As três tentações de Jesus se resumem em TER (Ter muitos pães), SER (ser capaz de tudo) e PODER (ter nas mãos os reinos do mundo), são tentações recorrentes em nossa sociedade. O
Transformando a pedra em pão (bens de consumo)
capitalismo que transforma os recursos naturais em bens de consumo, e diz para nós que para sermos alguma coisa temos que, por exemplo, ter o carro mais veloz, lançar-te a 160 Km por hora, por exemplo. A sociedade que nos fantasia de herois quando na verdade querem que sejamos apenas marionetes, não nos leva a reconhecer a nossa iniqüidade perante o Senhor. Na questão do poder ela nos leva e a dominar na política da associação, do sindicato e a dominar os órgãos públicos, é isso que muitos que se dizem poderosos fazem. Nem sempre o poderoso é o mandatário. O prefeito, por exemplo, tem o mandato, mas o comando está com outros. Ele é apenas marionete. Circula no facebook uma arte com Joaquim Barbosa dizendo eu fiz isso, prendi corruptos, etc.. Quantos corruptos estão de fatos presos? É uma demonstração de poder. Mas quem está por traz?
Atuemos cada vez mais em nossas pastorais, em nossos movimentos, contextualizando a Palavra de Deus na busca pelo pão de cada dia. Mas tenhamos sempre em mente que essa sociedade capitalista e hipócrita, tolera o louvor entre quatro paredes mas não tolera a profecia. Essa sociedade é a serpente que nos promete endeusamento se comermos o que ela nos propõe. Está aí todos os meios de comunicação nos dando conhecimento e nos tirando a sabedoria. Podemos questionar se de fato é todo conhecimento. Está aí a sociedade nos dizendo que devemos desobedecer a Deus em nome do ter, do ser e do poder.
Está aí a nossa missão diante do desafio que a Campanha da Fraternidade nos propõe, um pecado social transnacional denominado Tráfico Humano. Que Deus derrame sobre nós a tua Bênção e que o dom da Graça frutifique em justificação.


Bom fim de semana!