Nesse domingo (19.05.2013) toda Igreja Católica celebra
a solenidade de Pentecostes. Variavelmente as paróquias, após uma novena, em
sintonia com a Semana De Oração pela Unidade dos Cristãos, promovida pelo CONIC
(Conselho Nacional das Igrejas Cristãs) lembram a vinda do Paráclito, do Advogado,
da Terceira Pessoa da Santíssima Trindade. Deus criou o mundo, Jesus criou a
Igreja e o Espírito Santo criou a missão, o compromisso de evangelizar todas as
nações, dando continuidade ao projeto LUZ DAS NAÇÕES assumido por Jesus Cristo.
A solenidade do Pentecostes e suas leituras bíblicas,
pregadas e
refletidas em todas as capelas, matrizes e catedrais nesse domingo,
traz as seguintes implicações:
1. Então apareceram como línguas de fogo... (At
2,3). O fogo queima, dá calor, faz mover, o fogo cura, limpa, apaga aquilo que
não pode ficar mais... Essa é a missão do cristão, queimar uma sociedade, fazer
renascer das cinzas como fênix, uma nova sociedade.
2. Esses homens que estão falando não são
todos galileus? Como é que nós escutamos na nossa própria língua? (At
2, 7-8). O interessante é que falavam em língua e dialetos que eram reconhecidos
por grupos étnicos. Cretense, árabes, medos, partos, enfim, etnias que tinham
sua língua e sua cultura. O Espírito Santo não leva ninguém a falar em uma
língua incompreensível. Mas leva o discípulos de Jesus e Apóstolo, missionário,
a falar a língua, a cultura do povo a ser evangelizado. Na sociedade plural
temos que falar a língua do excluído, do migrante, da vítima da droga e da
prostituição. Temos que falar a língua do povo de Deus. Então, como anunciar as
maravilhas de Deus na língua própria de cada excluído e explorado em cada
situação da sociedade neoliberal?
3. Há uma diversidade de dons, mas um
mesmo é o Espírito. (1Cor 12,4). Muito se fala da diversidade
da Igreja. Da pastoral de conjunto. Agora a CNBB faz a proposta de organizarmos
setores, como a Juventude, integrando pastorais e movimentos. No entanto isso
somente funciona se todos tiverem como cabeça Jesus Cristo, formando um único
corpo. Porém não chegaremos a lugar algum se uma pastoral caminhar para a
esquerda e o movimento para a direita, ou vice-versa. A Igreja precisa caminhar
no sentido de, ao mesmo tempo, cada um com sua linguagem própria, todos fazendo
parte do mesmo corpo.
4.
..também
vos envio. (Jo 20, 21). Ser enviado por Jesus assim
como Jesus foi enviado pelo Pai. Significa ser enviado para proclamar o Ano da
Graça, a libertação dos cativos, ser profeta, anunciar a Boa Nova e denunciar
as injustiças. Somente a força do Espírito Santo atuando em nós nos dará
condição para implantar uma sociedade pentecostal, entendendo aqui uma
sociedade plural, como a Igreja, mas com o mesmo objetivo: a paz, a justiça e o
bem comum. No entanto, essa sociedade parte de Galileus, de periféricos do
templo, do poder. Não parte da grande organização estatal, mas dos movimentos
de trabalhadores (não são todos galileus?), que aos poucos todos vão aderindo
(todos nós, judeus
ou gregos, escravos ou livres,...) para estar em paz. Mas não
a pax romana, mas o SHALLOM. A palavra "Shalom" vem da palavra-raíz
"Salam", que significa "estar-bem", "estar
completo", "são" e "salvo". Essa paz que vem da certeza de ter
todos os direitos garantidos. O mesmo Jesus que afirma que veio para que todos
tenham vida e vida em abundância (Jo 10,10), ele repassa essa missão para todos
os batizados num único Espírito (1Cor
12, 13).
5. Então
temos o compromisso de falar a língua daqueles e daquelas que são excluídos,
fazendo parte de um só corpo, levando adiante a missão de Jesus, cada um com
seu dom, construindo uma sociedade pentecostal. A festa que era da colheita,
agora é a festa da celebração da presença do Deus Espírito que santifica nossa
missão e nos encoraja perante os desafios. O RUAH que pairou sobre as águas,
que fez o Verbo se transformar em Carne, está presente a cada dia da nossa
Igreja e na vida daqueles e daquelas que servem a Deus no seu Projeto Maior.
6. Boa
celebração de pentecostes para todos. Um bom final de semana.
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