IMPLICAÇÕES SOCIOPASTORAIS DA PALAVRA
NOTA
DO BLOGUEIRO: Começaremos aqui, ou pelo menos faremos
nossa tentativa, de uma série de reflexões, tendo como pano de fundo as
leituras bíblicas de cada domingo, portanto a série será semanal, na
sexta-feira ou sábado pela manhã, como essa, a ser postadas no nesse blog. Sabemos
que nossas equipes de reflexão já fizeram a leitura e a reflexão partilhada do
evangelho nas equipes e os sites e blogs estão cheios de homilias. O próprio
portal da nossa diocese já o faz. Então queremos aqui apenas deixar mais uma
contribuição tendo em vista o viés social e pastoral em que as CEBs estão.
QUANDO
A TRADIÇÃO VIRA CONTRADIÇÃO
O evangelho
desse 5º domingo da quaresma (17 de
março de 2013) nos traz como contexto uma realidade presente na sociedade de
hoje, explorada inclusive em uma das novelas atuais, a prostituição.
A visão
estreita, egocêntrica, de uma religião baseada em leis e regras e não no amor,
vê apenas a pessoa do prostituído, sim. Até o autor do evangelho usa o termo
usado pelo senso comum: “trouxeram uma
mulher surpreendida em adultério (Jo8,3)”. O certo seria, trouxeram uma
mulher e um homem que estavam cometendo adultério. A princípio percebe-se que a
sociedade no tempo de Jesus era extremamente machista.
Ainda hoje vemos essa
desvalorização da mulher, ainda que tenhamos que reconhecer e comemorar alguns
avanços. Era para apedrejá-la. Era a tradição que tinha virado lei. Mas Jesus
percebia que havia uma contradição perante a tradição. A visão dos fariseus era
a visão do senso comum e não uma visão baseada no senso crítico. Não via o
entorno, apenas focalizava na vítima. Eram como burros com tapa-olhos.
Jesus tem duas atitudes
interessantes:
a)
primeiramente uma atitude de
transformação social, de profetismo, de questionamento da tradição, da lei, Ele
escreve no chão para demonstrar que as leis precisam mudar sempre em direção ao
homem. A lei deve estar a serviço da vida e não a vida a serviço da lei. É um
questionamento do Poder Judiciário. Sim, o atual poder judiciário deve ser
questionado em conjunto com o Poder Legislativo. Leis baseadas no senso comum
são criadas para dar soluções prontas e superficiais a problemáticas sociais
cada vez mais complexas. Veja atualmente a questão da redução da maioridade
penal. Resolve o problema? Não. Vai apenas superlotar as já superlotadas
penitenciárias que em Minas estão sendo privatizadas com o nome de PPP.
b)
A segunda atitude é uma atitude
pastoral. Especialmente uma atitude que deve ser encarnada pela Pastoral da
Juventude e pela Pastoral Familiar. A atitude da acolhida da pessoa, e não do
seu pecado. É uma atitude de apontar caminhos, pois encontra-se nessa atitude
um nexo com a primeira leitura (Is 43, 16-21). A pessoa que entende essa
atitude, encontra esse caminho, essa verdade e portanto encontra a vida,
novamente, como um rio no deserto, uma estrada no meio do nada, precisa ter a
atitude de Paulo (Fl 3,8-14), experimentar a força da Ressurreição de Cristo em
nossas vidas.
Aqui para nós, quantas vezes nós mesmos precisamos
re-experimentar essa ressurreição, quantas vezes nossas vidas nos parece um
deserto. Nós que acreditamos numa Igreja engajada nas lutas sociais, vivemos
nas duas últimas décadas um deserto dentro da própria estrutura eclesial. Talvez
agora haja um rio nascendo, uma estrada sendo construída. Mas como disse Paulo
aos filipenses: “Esquecendo o fica para trás, eu me lanço para o que está na
frente. Fl 3,13”
Esses são desafios que a Palavra de Deus nós traz
nesse fim de semana:
- Denunciar a hipocrisia social da relação do nosso corpo com as leis. Todo pecado tem suas implicações sociais, drogas, prostituição, esfacelamento da família, etc;
- Denunciar um sistema judiciário que condena algumas pessoas e não debate situações;
- Rever nossas tradições. Quando a tradição vira contradição, é hora de ser contra a Tradição. É o que fez Jesus;
- Acolher as pessoas indistintamente sem acolher seu pecado;
- Perceber como Deus abre caminhos no deserto, como ele sacia nossa sede em meio às securas da vida.
Fé em Deus e caminhando sempre. Corramos
direto para nossa meta, como nos ensina Paulo nesse fim de semana.
Fraternalmente, Cláudio.

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