NOTA DO BLOG: Janeiro foi mês quase sem postagem nesse blog. Por desleixo deixamos de acompanhar o 13º Encontro INTERECLESIAL DE CEBs na Diocese de Crato-CE, acontecido, entre outras cidades, em Juazeiro do Norte-CE.
Para deixar registrado aqui, compartilhamos o artigo de Frei Gilvander, publicado ontem no Portal Ecodebate. Confira esse parágrafo e o link do artigo.
De 1975 a 2014 perfazem 39 anos de intereclesiais das CEBs. Quase 40 anos de caminhada libertadora das Comunidades Eclesiais de Base, essas sementeiras de movimentos sociais populares, realizando encontros paroquiais, diocesanos, estaduais e “nacionais”. Como romeiras do reino do Deus da vida, sob a luz e o incentivo do papa Francisco, com a exortação apostólica Alegria do Evangelho, as CEBs brasileiras podem estar diante do rio Jordão, após os muitos anos de deserto sob os pontificados de João Paulo II com início em 1978 e Bento XVI que o sucedeu até 2013. Pela 1ª vez na história dos intereclesiais de CEBs, o papa enviou uma mensagem animadora aos 4.065 representantes de CEBs reunidos neste 13º Intereclesial. Disse Francisco, na Mensagem: “Como lembrava o Documento de Aparecida, as CEBs são um instrumento que permite ao povo “chegar a um conhecimento maior da Palavra de Deus, ao compromisso social em nome do Evangelho, ao surgimento de novos serviços leigos e à educação da fé dos adultos (D.A, n.178). As Comunidades de Base trazem um novo ardor evangelizador e uma capacidade de diálogo com o mundo que renovam a Igreja.”
LINK DO ARTIGO: http://www.ecodebate.com.br/2014/02/04/comunidades-eclesiais-de-base-cebs-teimosas-flores-de-mandacaru-artigo-de-gilvander-luis-moreira/
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quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014
terça-feira, 26 de março de 2013
FREI GILVANDER E A DESFOSSILIZAÇÃO DA INDIGNAÇÃO
Ao abrir meu email e ler o boletim de atualização do Portal Ecodebate, deparei-me com esse artigo interessantíssimo do Frei Gilvander.
É um portal do movimento ecológico. O que faz o artigo do Frei Gilvander sobre Dom Oscar Romero, um bispo libertador que enfrentou a ditadura de El Salvador?
Lembrei-me dos meus tempos de PJ (Pastoral da Juventude) e de CEBs, aquela dos anos 90. Lembrei-me do filme (ainda em VHS) de Dom Romero. Era inspirador. Esse filme suscitou em nós a vontade de lutar pela transformação social, de mudar o mundo.
Mas defender a vida hoje é também defender o meio ambiente. Concordo que as CEBs de hoje está no caminho certo, e eu que transitei do Ensino Religioso, para as Ciências Biológicas, também acertei. Entendo que os ecologistas devem buscar em Dom Oscar Romero, o exemplo de luta contra as ditaduras, mesmo as disfarçadas de democracia como a que vivemos em MInas Gerais e incomoda o coração daqueles e daquelas que querem vida digna para todos. Incomoda um lutador como frei Gilvander.
Ao dar publicidade a esse artigo, Frei Gilvander cavuca em nossa memória para extrair a energia necessária para mantermos vontade de lutar. Frei Gilvander não deixa fossilizar a matéria e a energia orgânica da indignação perante a injustiça.
Leia o artigo: http://www.casadajuventude.org.br/images/stories/dom_oscar.jpg
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| Dom Oscar Romero. Foto: Instituto de Formação, Assessoria e Pesquisa sobre Juventude |
Lembrei-me dos meus tempos de PJ (Pastoral da Juventude) e de CEBs, aquela dos anos 90. Lembrei-me do filme (ainda em VHS) de Dom Romero. Era inspirador. Esse filme suscitou em nós a vontade de lutar pela transformação social, de mudar o mundo.
Mas defender a vida hoje é também defender o meio ambiente. Concordo que as CEBs de hoje está no caminho certo, e eu que transitei do Ensino Religioso, para as Ciências Biológicas, também acertei. Entendo que os ecologistas devem buscar em Dom Oscar Romero, o exemplo de luta contra as ditaduras, mesmo as disfarçadas de democracia como a que vivemos em MInas Gerais e incomoda o coração daqueles e daquelas que querem vida digna para todos. Incomoda um lutador como frei Gilvander.
Ao dar publicidade a esse artigo, Frei Gilvander cavuca em nossa memória para extrair a energia necessária para mantermos vontade de lutar. Frei Gilvander não deixa fossilizar a matéria e a energia orgânica da indignação perante a injustiça.
Leia o artigo: http://www.casadajuventude.org.br/images/stories/dom_oscar.jpg
segunda-feira, 6 de junho de 2011
FESTA DO PADROEIRO 2011
PARÓQUIA DE SÃO MANOEL DE MUTUM CELEBRA SEU PADROEIRO
A FESTA DO PADROEIRO SÃO MANOEL vem se firmando como uma festa tradicional e SÃO MANOEL vem se tornando um santo popular na Paróquia São MANOEL DE MUTUM.
Vem se tornando tradição nessa paróquia a posse do novo CPP , composto pelos representantes das CEBs, na paróquia, dos representantes de linhas pastorais e representantes dos 12 setores que compõem a Paróquia.
Antecipando a FESTA DO PADROEIRO, que começou como ENCONTRO PAROQUIAL DAS CEBs, acontece na COMUNIDADE SÃO MANOEL, MATRIZ, uma animada novena, com participação de outras comunidades da paróquia, sobretudo do setor matriz e ainda homenagens ao SÃO MANOEL feita pelas escolas.
Convidamos a todos os cristãos de nossas paróquias para festejar conosco.
DIA 10 A 17/06 – NOVENA DE SÃO MANOEL
12/06- CELEBRAÇÃO EM PREPARAÇÃO PARA A FESTA DE SÃO MANOEL EM TODAS AS COMUNIDADES COM POSSE DO NOVOS CPCs.
FESTA DE SÃO MANOEL
18 de junho de 2011
PROGRAMAÇÃO
10:00 - Futsal - E. E. Ministro Francisco Campos - Final do Torneio de Futsal - Troféu para o vencedor.
15:30 - Chegada das comunidades na Comunidade de N. Sra. da Eucaristia.
16:00 - Caminhada com a imagem do padroeiro São Manoel até a Matriz.
16:30 - Sanfoneiro José Dutra e equipe.
18:30 - Missa Festiva.
21:00 - Show com Frei Zeca.
22:30 - Sorteio e Despedida.
A FESTA DO PADROEIRO SÃO MANOEL vem se firmando como uma festa tradicional e SÃO MANOEL vem se tornando um santo popular na Paróquia São MANOEL DE MUTUM.
Vem se tornando tradição nessa paróquia a posse do novo CPP , composto pelos representantes das CEBs, na paróquia, dos representantes de linhas pastorais e representantes dos 12 setores que compõem a Paróquia.
Antecipando a FESTA DO PADROEIRO, que começou como ENCONTRO PAROQUIAL DAS CEBs, acontece na COMUNIDADE SÃO MANOEL, MATRIZ, uma animada novena, com participação de outras comunidades da paróquia, sobretudo do setor matriz e ainda homenagens ao SÃO MANOEL feita pelas escolas.
Convidamos a todos os cristãos de nossas paróquias para festejar conosco.
DIA 10 A 17/06 – NOVENA DE SÃO MANOEL
12/06- CELEBRAÇÃO EM PREPARAÇÃO PARA A FESTA DE SÃO MANOEL EM TODAS AS COMUNIDADES COM POSSE DO NOVOS CPCs.
FESTA DE SÃO MANOEL
18 de junho de 2011
PROGRAMAÇÃO
10:00 - Futsal - E. E. Ministro Francisco Campos - Final do Torneio de Futsal - Troféu para o vencedor.
15:30 - Chegada das comunidades na Comunidade de N. Sra. da Eucaristia.
16:00 - Caminhada com a imagem do padroeiro São Manoel até a Matriz.
16:30 - Sanfoneiro José Dutra e equipe.
18:30 - Missa Festiva.
21:00 - Show com Frei Zeca.
22:30 - Sorteio e Despedida.
quarta-feira, 11 de maio de 2011
CONSCIENTIZAR AS CIDADES
ESSE ARTIGO SE TORNA INTERESSANTE A MEDIDA EM QUE PODEREMOS REFLETIR SOBRE O TRABALHO DE CONSCIENTIZAÇÃO DAS CEBS
Como se conscientizar das realidades, artigo de Maurício Gomide Martins
Publicado em maio 10, 2011 por HC
Tags: reflexão
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[EcoDebate] A potencialidade mental de consciência, todos possuem. Já nascemos com ela. É produto da evolução. No frontispício dessa faculdade, está a percepção de ser, existir. Daí que a primeira percepção é a do ego, isto é, a percepção de si. “Penso, logo existo”.
Essa aptidão mental nos possibilita ingressar no amplo campo dos sentimentos advindos da introspecção pelos quais o indivíduo passa a enxergar diversas realidades que se achavam ocultas. Conscientizar-se é conhecer a realidade na sua essência. Para possibilitar essas descobertas, devemos começar dando plena liberdade às potencialidades da razão. O pensamento deverá estar inteiramente liberto de qualquer obstáculo cultural, de crença ou qualquer outro compromisso conceitual de ordem mercantil e mesmo pessoal como o antropocentrismo.
Neste mundo tão complexo, existem incontáveis situações nas quais vivemos de forma individualista e egoística, produto natural oriundo do instinto animal que ainda atua na formação da personalidade. Seria quase como uma vida só de corpo. Por quê? Como explicar essa situação aparentemente contraditória?
Temos normalmente os cinco principais sentidos do corpo. Mas há os cegos, os surdos, os daltônicos, os carentes do sabor, do olfato, tanto no grau absoluto como em suas gradações. Isto é, não somos todos totalmente perfeitos nos atributos das percepções primárias. Esses casos são em número relativamente pequeno, mas devemos reconhecer essa realidade para melhor entender o rumo de nossa apresentação.
No âmbito mental também temos por natureza diversos atributos aptos a captar informações de si e de terceiros, mas dificilmente perceptíveis por variadas circunstâncias. Uma delas, a mais atuante, influente e reforçada pelo egoísmo, é a do estofo social que os desnatura, deforma ou atrofia pelo desuso e desvalorização. Nesse caso, o exercício da capacidade mental é relegado por desnecessário e até prejudicial para a sobrevivência cotidiana dessa insana e perversa cultura, pautada pelo pragmatismo, imediatismo, materialismo e individualismo
Dentro das condicionantes acima expostas, podemos ver algo diariamente com os olhos do corpo e não enxergarmos nem sentirmos as correlações e essências da situação enfocada. Tais restrições têm como causa principal o sistema econômico que, como já identificado, objetiva apenas os bens materiais de uma forma imediata e lucrativa.
Por isso, deturpam-se as artes; destroem-se os liames familiares; nivelam-se as individualidades; formatam-se os cérebros; invertem-se os valores morais; criam-se ídolos lucrativos; apressam-se os compromissos para açambarcar o tempo que seria da reflexão e do amanho espiritual; ignoram-se as causas, ficando os efeitos como fatores normais de vivência.
Conscientizar-se de algo é exercer a capacidade de incorporar uma percepção mental desse algo, ampliando o ângulo de visão. É projetar-se para além dos conhecimentos do homem comum, possibilitando uma vida mais rica de saberes e, por isso, adquirindo capacidade de compreensões até então irreconhecíveis
A consciência vem como um lampejo, um coroamento de um processo mental disciplinado, tal como o conhecimento vindo da intuição. Esse fenômeno não depende somente de nossa vontade primordial, mas de uma preparação mental profunda, consistente da revisão de conceitos culturais equivocados e receptividade a novas idéias e situações, exercitando a virtude da empatia, o senso crítico, e o ajuizamento abrangente
É comum ocorrer que algumas pessoas passam a ser cônscias de certa situação no momento em que elas ocorrem na própria carne ou nas emoções traumáticas que provocam. Eram testemunhas de fatos idênticos que se passavam com seus semelhantes, mas nada percebiam ou sentiam na sua essência. Jazia no subconsciente que tais abalos não poderiam acontecer com elas próprias. Viam com os olhos, mas não enxergavam, não percebiam o alcance dos significados. Faltava-lhes algo que as impossibilitavam de se sincronizar por inteiro com os eflúvios emitidos naquela situação. Não nos devemos fechar para a sublimação da vida individual e cósmica. Ela tem muitos segredos que nos podem ser revelados.
Esse choque a que nos referimos acima irá ocorrer por atacado, num futuro breve, quando as condições artificiais de vivência da humanidade se transformarem ou se esgotarem pelo desgaste conseqüente dos recursos terrestres. Nessa ocasião, os humanos se darão conta de que agiram em favor de efêmeros confortos e ganâncias contraproducentes. Agiram ou viveram equivocadamente, sem a plenitude que a inteligência lhes oferece. Obterão uma consciência tardia que poderiam ter percebido apenas com o exercício da reflexão
Fora dessa condição extrema aludida, como pode ocorrer ao indivíduo a percepção íntima de uma realidade? Primeiramente, que haja uma condição emotiva honesta: a empatia. Por ela socializamos o sentimento, isto é, criamos condições para a harmonização das necessidades que sustentam a vida. Afinal, na essência somos todos iguais. Almejamos o bem e desprezamos o mal. Numa sociedade consciente, como pode haver o bem somente para alguns? A virtude da empatia é essencial para a abertura ou favorecimento da visão mental de conscientização, ponto comum do entendimento social.
O assunto é extenso e não pretendemos prolongá-lo com considerações sobre seus múltiplos aspectos. O importante no caso presente é identificar como ocorre a conscientização e as vantagens dessa transformação, tornando a vida mais plena de realidades e rica de conhecimentos.
Já ouvimos por diversas vezes pessoas dizerem mais ou menos isso: “depois que meu filho morreu, a quem amava tanto, passei a enxergar as coisas de outra maneira. Já não sou tão apegado às coisas materiais”. Nesse caso, a mudança de percepção ocorreu por uma abertura para a conscientização das potencialidades íntimas, oferecendo-lhe condições para sair da escuridão em que viviam.
Essa libertação do olhar consciente tem potencialidade para alcançar não só as pessoas próximas. Em mentes mais arejadas, essa situação pode evoluir para a percepção integral dos anseios vitais da humanidade, da biodiversidade e da ecologia, de tal forma que conseguirão perceber as realidades do nosso planeta dentro de uma visão cósmica. Então, enxergarão claramente os males que a atual civilização mercantil está causando à própria Vida
Conscientizar-se é ter a visão completa de um elefante e não apenas de suas partes, como descreviam erroneamente os cegos que o apalpavam em apenas uma parte. Temos que ter uma visão de conjunto. As partes constroem uma harmonia. Da mesma forma, não podemos apenas conhecer a parte material da Natureza viva. Num estado consciente, nossa sensibilidade se amplia e se integra a essas energias e passa a perceber esse Todo.
Conscientizar-se não é somente visualizar o transcendente. É fixar essa visão no que já víamos antes e não era percebido. É um fenômeno que, sem ajuda mental, não surge espontaneamente. Alguém pode nos mostrar algo, explicar como funciona, apontar os aspectos particulares, significações, as implicações relacionadas. Podemos entender perfeitamente as explicações, decorá-las, mas não conseguiremos atingir a essência, a alma, a parte energizada daquele assunto se não estivermos dispostos a compartilhar. Lembramo-nos do escritor Rubem Alves quando pontua que “a principal função de um professor é ensinar o aluno e enxergar, a olhar, a perceber. Aí, então, ele será capaz de sentir quão maravilhoso é este mundo”.
Há homens rudes, incultos, nascidos e viventes no meio rural, mas com índole de devoção à Natureza, respeitando-a e dela zelando. Os silvícolas reverenciam seus ambientes naturais, com eles se integrando e se harmonizando, pois sentem a gratidão filial à Mãe-Terra. Enquanto isso, alguns professores acadêmicos de ecologia sabem toda a teoria do ramo, mas são incapazes de perceber as diversas formas dos percalços que o progresso produz ao meio ambiente. Têm um conhecimento como se estivessem lidando com coisas.
Cabe a nós, ambientalistas, transmitir conhecimentos e experiências de vida; mostrar a interdependência dos sistemas habitacionais; formular argumentações; expor situações ocultas pelo sistema econômico e defender a lógica da natureza. Aos leitores, compete envidar esforços para oferecer à mente condições de empatia com todas as outras formas de vida.
Assim preparados, a conscientização das realidades ocultas, nas suas diversas gradações, aflorará à mente como um clarão súbito.
Quem evolui nesse rumo vivencia a amplidão da Vida cósmica. Quem apenas conta os dias utiliza a estreita e frívola vida motora.
Maurício Gomide Martins, 82 anos, ambientalista e articulista do EcoDebate, residente em Belo Horizonte(MG), depois de aposentado como auditor do Banco do Brasil, já escreveu três livros. Um de crônicas chamado “Crônicas Ezkizitaz”, onde perfila questões diversas sob uma óptica filosófica. O outro, intitulado “Nas Pegadas da Vida”, é um ensaio que constrói uma conjectura sobre a identidade da Vida. E o último, chamado “Agora ou Nunca Mais”, sob o gênero “romance de tese”, onde aborda a questão ambiental sob uma visão extremamente real e indica o único caminho a seguir para a salvação da humanidade.
Nota: o livro “Agora ou Nunca Mais“, está disponível para acesso integral, gratuito e no formato PDF, clicando aqui.
EcoDebate, 10/05/2011
Como se conscientizar das realidades, artigo de Maurício Gomide Martins
Publicado em maio 10, 2011 por HC
Tags: reflexão
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[EcoDebate] A potencialidade mental de consciência, todos possuem. Já nascemos com ela. É produto da evolução. No frontispício dessa faculdade, está a percepção de ser, existir. Daí que a primeira percepção é a do ego, isto é, a percepção de si. “Penso, logo existo”.
Essa aptidão mental nos possibilita ingressar no amplo campo dos sentimentos advindos da introspecção pelos quais o indivíduo passa a enxergar diversas realidades que se achavam ocultas. Conscientizar-se é conhecer a realidade na sua essência. Para possibilitar essas descobertas, devemos começar dando plena liberdade às potencialidades da razão. O pensamento deverá estar inteiramente liberto de qualquer obstáculo cultural, de crença ou qualquer outro compromisso conceitual de ordem mercantil e mesmo pessoal como o antropocentrismo.
Neste mundo tão complexo, existem incontáveis situações nas quais vivemos de forma individualista e egoística, produto natural oriundo do instinto animal que ainda atua na formação da personalidade. Seria quase como uma vida só de corpo. Por quê? Como explicar essa situação aparentemente contraditória?
Temos normalmente os cinco principais sentidos do corpo. Mas há os cegos, os surdos, os daltônicos, os carentes do sabor, do olfato, tanto no grau absoluto como em suas gradações. Isto é, não somos todos totalmente perfeitos nos atributos das percepções primárias. Esses casos são em número relativamente pequeno, mas devemos reconhecer essa realidade para melhor entender o rumo de nossa apresentação.
No âmbito mental também temos por natureza diversos atributos aptos a captar informações de si e de terceiros, mas dificilmente perceptíveis por variadas circunstâncias. Uma delas, a mais atuante, influente e reforçada pelo egoísmo, é a do estofo social que os desnatura, deforma ou atrofia pelo desuso e desvalorização. Nesse caso, o exercício da capacidade mental é relegado por desnecessário e até prejudicial para a sobrevivência cotidiana dessa insana e perversa cultura, pautada pelo pragmatismo, imediatismo, materialismo e individualismo
Dentro das condicionantes acima expostas, podemos ver algo diariamente com os olhos do corpo e não enxergarmos nem sentirmos as correlações e essências da situação enfocada. Tais restrições têm como causa principal o sistema econômico que, como já identificado, objetiva apenas os bens materiais de uma forma imediata e lucrativa.
Por isso, deturpam-se as artes; destroem-se os liames familiares; nivelam-se as individualidades; formatam-se os cérebros; invertem-se os valores morais; criam-se ídolos lucrativos; apressam-se os compromissos para açambarcar o tempo que seria da reflexão e do amanho espiritual; ignoram-se as causas, ficando os efeitos como fatores normais de vivência.
Conscientizar-se de algo é exercer a capacidade de incorporar uma percepção mental desse algo, ampliando o ângulo de visão. É projetar-se para além dos conhecimentos do homem comum, possibilitando uma vida mais rica de saberes e, por isso, adquirindo capacidade de compreensões até então irreconhecíveis
A consciência vem como um lampejo, um coroamento de um processo mental disciplinado, tal como o conhecimento vindo da intuição. Esse fenômeno não depende somente de nossa vontade primordial, mas de uma preparação mental profunda, consistente da revisão de conceitos culturais equivocados e receptividade a novas idéias e situações, exercitando a virtude da empatia, o senso crítico, e o ajuizamento abrangente
É comum ocorrer que algumas pessoas passam a ser cônscias de certa situação no momento em que elas ocorrem na própria carne ou nas emoções traumáticas que provocam. Eram testemunhas de fatos idênticos que se passavam com seus semelhantes, mas nada percebiam ou sentiam na sua essência. Jazia no subconsciente que tais abalos não poderiam acontecer com elas próprias. Viam com os olhos, mas não enxergavam, não percebiam o alcance dos significados. Faltava-lhes algo que as impossibilitavam de se sincronizar por inteiro com os eflúvios emitidos naquela situação. Não nos devemos fechar para a sublimação da vida individual e cósmica. Ela tem muitos segredos que nos podem ser revelados.
Esse choque a que nos referimos acima irá ocorrer por atacado, num futuro breve, quando as condições artificiais de vivência da humanidade se transformarem ou se esgotarem pelo desgaste conseqüente dos recursos terrestres. Nessa ocasião, os humanos se darão conta de que agiram em favor de efêmeros confortos e ganâncias contraproducentes. Agiram ou viveram equivocadamente, sem a plenitude que a inteligência lhes oferece. Obterão uma consciência tardia que poderiam ter percebido apenas com o exercício da reflexão
Fora dessa condição extrema aludida, como pode ocorrer ao indivíduo a percepção íntima de uma realidade? Primeiramente, que haja uma condição emotiva honesta: a empatia. Por ela socializamos o sentimento, isto é, criamos condições para a harmonização das necessidades que sustentam a vida. Afinal, na essência somos todos iguais. Almejamos o bem e desprezamos o mal. Numa sociedade consciente, como pode haver o bem somente para alguns? A virtude da empatia é essencial para a abertura ou favorecimento da visão mental de conscientização, ponto comum do entendimento social.
O assunto é extenso e não pretendemos prolongá-lo com considerações sobre seus múltiplos aspectos. O importante no caso presente é identificar como ocorre a conscientização e as vantagens dessa transformação, tornando a vida mais plena de realidades e rica de conhecimentos.
Já ouvimos por diversas vezes pessoas dizerem mais ou menos isso: “depois que meu filho morreu, a quem amava tanto, passei a enxergar as coisas de outra maneira. Já não sou tão apegado às coisas materiais”. Nesse caso, a mudança de percepção ocorreu por uma abertura para a conscientização das potencialidades íntimas, oferecendo-lhe condições para sair da escuridão em que viviam.
Essa libertação do olhar consciente tem potencialidade para alcançar não só as pessoas próximas. Em mentes mais arejadas, essa situação pode evoluir para a percepção integral dos anseios vitais da humanidade, da biodiversidade e da ecologia, de tal forma que conseguirão perceber as realidades do nosso planeta dentro de uma visão cósmica. Então, enxergarão claramente os males que a atual civilização mercantil está causando à própria Vida
Conscientizar-se é ter a visão completa de um elefante e não apenas de suas partes, como descreviam erroneamente os cegos que o apalpavam em apenas uma parte. Temos que ter uma visão de conjunto. As partes constroem uma harmonia. Da mesma forma, não podemos apenas conhecer a parte material da Natureza viva. Num estado consciente, nossa sensibilidade se amplia e se integra a essas energias e passa a perceber esse Todo.
Conscientizar-se não é somente visualizar o transcendente. É fixar essa visão no que já víamos antes e não era percebido. É um fenômeno que, sem ajuda mental, não surge espontaneamente. Alguém pode nos mostrar algo, explicar como funciona, apontar os aspectos particulares, significações, as implicações relacionadas. Podemos entender perfeitamente as explicações, decorá-las, mas não conseguiremos atingir a essência, a alma, a parte energizada daquele assunto se não estivermos dispostos a compartilhar. Lembramo-nos do escritor Rubem Alves quando pontua que “a principal função de um professor é ensinar o aluno e enxergar, a olhar, a perceber. Aí, então, ele será capaz de sentir quão maravilhoso é este mundo”.
Há homens rudes, incultos, nascidos e viventes no meio rural, mas com índole de devoção à Natureza, respeitando-a e dela zelando. Os silvícolas reverenciam seus ambientes naturais, com eles se integrando e se harmonizando, pois sentem a gratidão filial à Mãe-Terra. Enquanto isso, alguns professores acadêmicos de ecologia sabem toda a teoria do ramo, mas são incapazes de perceber as diversas formas dos percalços que o progresso produz ao meio ambiente. Têm um conhecimento como se estivessem lidando com coisas.
Cabe a nós, ambientalistas, transmitir conhecimentos e experiências de vida; mostrar a interdependência dos sistemas habitacionais; formular argumentações; expor situações ocultas pelo sistema econômico e defender a lógica da natureza. Aos leitores, compete envidar esforços para oferecer à mente condições de empatia com todas as outras formas de vida.
Assim preparados, a conscientização das realidades ocultas, nas suas diversas gradações, aflorará à mente como um clarão súbito.
Quem evolui nesse rumo vivencia a amplidão da Vida cósmica. Quem apenas conta os dias utiliza a estreita e frívola vida motora.
Maurício Gomide Martins, 82 anos, ambientalista e articulista do EcoDebate, residente em Belo Horizonte(MG), depois de aposentado como auditor do Banco do Brasil, já escreveu três livros. Um de crônicas chamado “Crônicas Ezkizitaz”, onde perfila questões diversas sob uma óptica filosófica. O outro, intitulado “Nas Pegadas da Vida”, é um ensaio que constrói uma conjectura sobre a identidade da Vida. E o último, chamado “Agora ou Nunca Mais”, sob o gênero “romance de tese”, onde aborda a questão ambiental sob uma visão extremamente real e indica o único caminho a seguir para a salvação da humanidade.
Nota: o livro “Agora ou Nunca Mais“, está disponível para acesso integral, gratuito e no formato PDF, clicando aqui.
EcoDebate, 10/05/2011
segunda-feira, 17 de maio de 2010
FREI GILVANDER
Conciliação ameniza polêmica sobre afastamento de freis em paróquia de BH
Flávia Ayer - Estado de Minas
Glória Tupinambás - Estado de Minas
Publicação: 17/05/2010 06:16 Atualização: 17/05/2010 07:25
Com o templo repleto, frei Cláudio Van Baleu leu mensagem de que solução está sendo encaminhada
A comunidade dos bairros Carmo e Sion, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, se mobiliza pela permanência dos freis Cláudio Van Balen e Gilvander Moreira à frente da Paróquia de Nossa Senhora do Carmo, uma das mais importantes da capital. Um manifesto lançado domingo, durante a tradicional missa de domingo, reuniu centenas de assinaturas dos que protestam contra o possível afastamento dos religiosos. Ao fim da celebração, frei Cláudio, no entanto, leu uma mensagem que tranquilizou um pouco os fiéis. Segundo ele, uma “solução razoável para os freis e para a comunidade está sendo encaminhada” e, em razão disso, o prazo para o afastamento, antes fixado em 31 de maio, “está superado”.
A polêmica envolvendo os freis se estende desde fevereiro, quando começaram a circular rumores do afastamento dos religiosos. As acusações que recaem sobre eles teriam como causa atitudes que fogem dos padrões da Arquidiocese de Belo Horizonte. Entre os principais incômodos, está o boletim distribuído nas missas. Enquanto nas demais paróquias a celebração segue um roteiro pré-definido pela Cúria Metropolitana, na do Carmo, o boletim é feito pelos próprios freis.
Ambos pertencem à Ordem dos Irmãos da Bem-aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo e, há cerca de dois meses, o superior da congregação, dom Joaquim Caldeira de Oliveira, conhecido como frei Felisberto, reuniu-se com o arcebispo de Belo Horizonte, dom Walmor Oliveira de Azevedo, para tratar do comportamento dos carmelitas. Desde então, as notícias sobre a possibilidade do afastamento só ganham força. A arquidiocese prefere não comentar o assunto, sob o argumento de que não pode se manifestar em respeito aos carmelitas. Os religiosos também se recusam a dar entrevistas, mas emitem opiniões durante as homilias das missas.
Trabalho social
Na celebração de domingo, frei Cláudio disse que, nesse processo, a comunidade do Carmo é vítima e ele é o réu. “O medo não nos envolveu, não nos amarrou. Não fazemos da fé uma simples repetição. Nós reformulamos a fé para que ela oriente os nossos corações. Mas isso incomoda muita gente”, afirmou o frei, que está há 43 anos na chefia da paróquia, fundada em 1940. Nascido na Holanda, Cláudio é doutor em teologia, psicólogo e autor de dezenas de livros. Aos 76 anos, ele está distante da administração e se dedica à celebração das missas. Além do papel evangelizador, o religioso desenvolveu importante trabalho social. São mais de 50 projetos, entre ambulatórios médicos e odontológicos, farmácia popular e escola profissional, oferecidos à comunidade por cerca de 800 voluntários. A média é de 100 mil beneficiados a cada ano.
O lançamento do manifesto levou centenas de pessoas, como o psicólogo Paulo Henrique Faleiro, de 30 anos, à paróquia do Carmo. “Vim especialmente para pôr meu nome no abaixo-assinado. Frei Cláudio reflete o ensinamento cristão genuíno e consegue manter o foco social em seu trabalho”, disse. A advogada Maria Aparecida Fernandes , de 45, também aderiu ao movimento. “É uma arbitrariedade o que estão querendo fazer. Frei Cláudio é muito querido e dedicou a vida inteira ao povo. Agora, aos 76 anos, eles querem retirá-lo daqui”, protestou ela.
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