O cristianismo ajudou a formar a identidade dos brasileiros. No tempo da Colônia e do Império ele entrou pela via da missão (igreja institucional) e da devoção aos santos e santas (cristianismo popular). Modernamente está entrando pela vida da libertação (círculos bíblicos, comunidades de base e pastorais sociais) e pelo carismatismo (encontros de oração e de cura, grandes shows-celebrações dos padres mediáticos). Fundamentalmente o cristianismo colonial e imperial educou as classes senhoriais sem questionar-lhes o projeto de dominação e domesticou as classes populares para se ajustarem ao lugar que lhes cabia na marginalidade. Por isso a função do cristianismo foi extremamente ambigua mas sempre funcional ao status quo desigual e injusto. Raramente foi profético. No caso da escravidão foi francamente legitimador de uma ordem iniqua.
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domingo, 16 de março de 2014
quarta-feira, 16 de junho de 2010
REFLEXÃO ACERCA DO SER RELIGIOSO
Desapareceu a religião?
Por Daniel Grubba
De acordo com o que se previa décadas atrás, a religião já deveria estar extinta. Por mais de um século, grandes pensadores profetizaram o despertar de uma nova aurora, onde a ignorância de um período negro, dominado pelo primitivo pensamento religioso, sucumbiria diante de uma nova ordem social totalmente secular e profana. O antropólogo de Cambridge James Frazer (1854-1941) foi um desses "sonhadores" que apostaram no triunfo da ciência. Em sua grande obra de 1890 "O ramo de ouro", o apóstolo do secularismo, previu a humanidade transpondo o estágio mítico-religioso para o científico.
Para espanto e desespero de muitos, isso não aconteceu. Nenhum movimento, por mais poderoso e influente que fosse, jamais conseguiu erradicar da essência humana o sentimento pelos deuses ou sua intrínseca busca pelo transcendente. Mas há que se reconhecer: hoje a religião já não diz muita coisa. Aos poucos ela foi lançada para fora das discussões públicas, confinou-se numa metafisica ultrapassada, satisfazendo-se solitariamente em sua torre de marfim, sobrecarregada de intermináveis especulações e apregoando uma transcendencia absolutamente desconectada (para não dizer inimiga) da imanência.
Rubem Alves no seu livro "O que é a religião?" responde aos prognosticadores do secularismo mostrando a insistência da religião enquanto desnuda seu estado decrépito no mundo de hoje. Ele responde assim a pergunta "Desapareceu a religião?":
"De forma alguma. Ela permanece e frequentemente exibe uma vitalidade que se julgava extinta. Mas não se pode negar que ela já não pode frequentar aqueles lugares que um dia lhe pertenceram: foi expulsa dos centros do saber científico e das câmaras onde se tomam decisões que concretamente determinam nossas vidas [...] Não me consta, igualmente, que a sensibilidade moral dos profetas tenha sido aproveitada para o desenvolvimento de programas econômicos. E é altamente duvidoso que qualquer industrial, convencido de que a natureza é criação de Deus, e portanto sagrada, tenha perdido o sonho por causa dos males da poluição. Permanece a experiência religiosa, mas fora do mundo da ciência, das fábricas, das armas, do dinheiro, dos bancos, da propaganda, da venda, da compra, do lucro".
Um certo tipo de cristianismo ajudou a afastar da sociedade a religião. A fim de não participar da "mesa dos demônios" criamos nossa subcultura evangélica, um rincão de segurança contra o presente século. Através do discurso e da linguagem dividimos o mundo em coisas seculares e sagradas, santas e profanas, e assim, reduzimos nosso espaço de atuação a dias, pessoas e lugares santificados. Por enquanto, estamos preocupados apenas com as coisas do andar de cima, do céu, ou como disse Dietrich Bonhoeffer o reino da graça. Não temos muita coisa para falar sobre outros assuntos que não o destino eterno das pessoas e a administração do mundo invisível .
O movimento para tentar sair deste quartinho de castigo em que nos encontramos foi tentar usar a via política. Assim, como crianças mimadas, choramos para o mundo nos ouvir de dentro das estruturas políticas. Ouçam! Vamos falar! E apresentamos geralmente dois discursos inflamados contra aborto e homosexualidade, nada mais. Esse ativismo político não deu certo e nem vai dar. O trabalho para tornar a fé relevante é de todos e não de alguns chamados para ser uma espécie de messias.
Concordo com o escritor, pastor e pós-modernista Brian Mclaren quando ele diz que embora a mensagem do Reino fosse pessoal, ela não era privativa. A mensagem cristã integral deve envolver toda a realidade e não somente uma faceta dela. Por isso, a verdadeira religião tem tudo a ver com as questões públicas de um modo geral. A verdade que Deus revelou abarca economia, ecologia, politica internacional, ajuda humanitaria, e é poderosa para trazer luz sobre as mais diversas questões e desafios de nossos dias.
Deixo uma provacação do pesquisador Dinesh D´Souza da Universidade de Stanford enquanto oro para que apareça uma geração que não seja do mundo conquanto esteja no mundo buscando sua redenção: "Em vez de se engajar no mundo secular, a maioria dos cristãos optou pela solução mais fácil, refugiando-se em uma espécie de subcultura cristã [...] vivem de acordo com o evangelho das duas verdades. Há a verdade religiosa, reservada para os domingos e dias de adoração, e há a verdade secular, que se aplica ao restante do tempo. Este estilo de vida é contrário ao que a bíblia ensina.
Postado por Daniel Grubba no blog SOLI DEO GLORIA
Por Daniel Grubba
De acordo com o que se previa décadas atrás, a religião já deveria estar extinta. Por mais de um século, grandes pensadores profetizaram o despertar de uma nova aurora, onde a ignorância de um período negro, dominado pelo primitivo pensamento religioso, sucumbiria diante de uma nova ordem social totalmente secular e profana. O antropólogo de Cambridge James Frazer (1854-1941) foi um desses "sonhadores" que apostaram no triunfo da ciência. Em sua grande obra de 1890 "O ramo de ouro", o apóstolo do secularismo, previu a humanidade transpondo o estágio mítico-religioso para o científico.
Para espanto e desespero de muitos, isso não aconteceu. Nenhum movimento, por mais poderoso e influente que fosse, jamais conseguiu erradicar da essência humana o sentimento pelos deuses ou sua intrínseca busca pelo transcendente. Mas há que se reconhecer: hoje a religião já não diz muita coisa. Aos poucos ela foi lançada para fora das discussões públicas, confinou-se numa metafisica ultrapassada, satisfazendo-se solitariamente em sua torre de marfim, sobrecarregada de intermináveis especulações e apregoando uma transcendencia absolutamente desconectada (para não dizer inimiga) da imanência.
Rubem Alves no seu livro "O que é a religião?" responde aos prognosticadores do secularismo mostrando a insistência da religião enquanto desnuda seu estado decrépito no mundo de hoje. Ele responde assim a pergunta "Desapareceu a religião?":
"De forma alguma. Ela permanece e frequentemente exibe uma vitalidade que se julgava extinta. Mas não se pode negar que ela já não pode frequentar aqueles lugares que um dia lhe pertenceram: foi expulsa dos centros do saber científico e das câmaras onde se tomam decisões que concretamente determinam nossas vidas [...] Não me consta, igualmente, que a sensibilidade moral dos profetas tenha sido aproveitada para o desenvolvimento de programas econômicos. E é altamente duvidoso que qualquer industrial, convencido de que a natureza é criação de Deus, e portanto sagrada, tenha perdido o sonho por causa dos males da poluição. Permanece a experiência religiosa, mas fora do mundo da ciência, das fábricas, das armas, do dinheiro, dos bancos, da propaganda, da venda, da compra, do lucro".
Um certo tipo de cristianismo ajudou a afastar da sociedade a religião. A fim de não participar da "mesa dos demônios" criamos nossa subcultura evangélica, um rincão de segurança contra o presente século. Através do discurso e da linguagem dividimos o mundo em coisas seculares e sagradas, santas e profanas, e assim, reduzimos nosso espaço de atuação a dias, pessoas e lugares santificados. Por enquanto, estamos preocupados apenas com as coisas do andar de cima, do céu, ou como disse Dietrich Bonhoeffer o reino da graça. Não temos muita coisa para falar sobre outros assuntos que não o destino eterno das pessoas e a administração do mundo invisível .
O movimento para tentar sair deste quartinho de castigo em que nos encontramos foi tentar usar a via política. Assim, como crianças mimadas, choramos para o mundo nos ouvir de dentro das estruturas políticas. Ouçam! Vamos falar! E apresentamos geralmente dois discursos inflamados contra aborto e homosexualidade, nada mais. Esse ativismo político não deu certo e nem vai dar. O trabalho para tornar a fé relevante é de todos e não de alguns chamados para ser uma espécie de messias.
Concordo com o escritor, pastor e pós-modernista Brian Mclaren quando ele diz que embora a mensagem do Reino fosse pessoal, ela não era privativa. A mensagem cristã integral deve envolver toda a realidade e não somente uma faceta dela. Por isso, a verdadeira religião tem tudo a ver com as questões públicas de um modo geral. A verdade que Deus revelou abarca economia, ecologia, politica internacional, ajuda humanitaria, e é poderosa para trazer luz sobre as mais diversas questões e desafios de nossos dias.
Deixo uma provacação do pesquisador Dinesh D´Souza da Universidade de Stanford enquanto oro para que apareça uma geração que não seja do mundo conquanto esteja no mundo buscando sua redenção: "Em vez de se engajar no mundo secular, a maioria dos cristãos optou pela solução mais fácil, refugiando-se em uma espécie de subcultura cristã [...] vivem de acordo com o evangelho das duas verdades. Há a verdade religiosa, reservada para os domingos e dias de adoração, e há a verdade secular, que se aplica ao restante do tempo. Este estilo de vida é contrário ao que a bíblia ensina.
Postado por Daniel Grubba no blog SOLI DEO GLORIA
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